17/04/2015

O Brasil tinha uma liderança muito mais pelo fato de que a indústria de açúcar e álcool era secular e o país deu início antes dos outros países ao uso sistemático do etanol como combustível para automóveis. Desse uso sistemático gerou-se uma política de usar o etanol e, assim, a produção foi aumentada. Era uma liderança frágil, porque era o único país que produzia etanol por meio de cana de açúcar. Os demais países não faziam isso.

Segundo organizador do livro “Futuros do Bioetanol: O Brasil na Liderança“, Sergio Salles-Filho, o retorno à ponta, porém, será difícil pois o Brasil terá que investir mais na tecnologia de segunda geração dos biocombustíveis – produção de etanol por meio de celulose – e implementar políticas mais concretas para o setor.

“O Brasil investe nessa tecnologia, porém menos que EUA, União Europeia e China. Existe uma corrida hoje para ver quem vai estabelecer o padrão de produção de álcool a partir da celulose, mas o Brasil está para trás”, diz Filho.

Como boa parte da tecnologia é aberta, a perda da liderança ocorreu de forma rápida. Os EUA focaram muito no etanol de milho. Em menos de cinco anos, dobraram a produção para 50 bilhões de litros. Hoje são quase 60 bilhões. Foi um salto extraordinário porque houve uma política de Estado dizendo que iriam colocar etanol na gasolina.

“Acho, pessoalmente, isso muito difícil o Brasil voltar à liderança. Mas não é impossível. As técnicas tradicionais de produção, seja do etanol ou do biodiesel, não têm segredo. Já novas tecnologias, principalmente a partir de celulose, podem mudar a situação no futuro. O Brasil investe nessa tecnologia, porém menos que EUA, União Europeia e China”, comenta Filho

Para o futuro, a tendência é a produção de bioetanol a partir de celulose – como fibra, palha e bagaço da própria cana –, mas ela está no início. A vantagem é que se pode extrair o etanol a partir de qualquer biomassa vegetal com celulose. E, assim, vários países têm a chance de entrar no negócio, já que, se um país não consegue produzir cana de açúcar por causa do clima, é possível produzir essa matéria-prima mais indiferenciada.
Hoje existem no mundo cerca de seis a oito plantas em escala industrial para produzir bioetanol com base em celulose, com capacidades muito baixas. As duas maiores – que têm capacidade de produzir 90 milhões de litros por ano e se localizam nos EUA – não conseguem chegar nesse teto por problemas técnicos.

Só em comparação, os EUA produzem quase 60 bilhões de litros por ano de etanol de milho. O Brasil – com a terceira maior planta e capacidade de 80 milhões de litros por ano – começou a produzir no ano passado e está fazendo ajustes para que a operação chegue ao volume de produção que é esperado.

Fonte: Deutsche Welle / Adaptado por CeluloseOnline